Tchau Vila Brás

 Por Renata Strapazzon

   
Quatro meses de aula, três visitas a Brás. Três textos, algumas fotos, alguns contatos, algum conhecimento. Este foi o saldo de um “semestre” de dedicação à cadeira de Redação Experimental em Jornalismo.  A disciplina de final de curso não nos apresentou muitas novidades. Depois de anos passando por estágios e de realizar tarefas semelhantes em outras cadeiras, fomos a campo da mesma forma como enfrentamos nossas pautas diárias nos nossos trabalhos. Por mais que a Brás seja um local onde as dificuldades afloram já na entrada da Vila, não há algo de diferente para noticiarmos.
 
Pessoas talentosas, problemas com a prefeitura, tráfico de drogas, tudo já virou tema batido nas nossas cidades, no nosso Estado, no país e no mundo. Transmitindo isso para uma Vila onde mais de 100 edições de um mesmo jornal foram produzidas somente lá a coisa complica.
 
Desde a nossa primeira visita percebemos que, assim como os alunos, os próprios moradores já não se sentem tão à vontade tendo de receber o mesmo tipo de jornalismo todos os anos. Umas das minhas primeiras fontes esnobou-me dizendo que já havia aparecido mais de 10 vezes no Enfoque. Pela gargalhada que acompanhou o comentário da senhora deu para perceber que aparecer no jornal produzido pelos estudantes da Unisinos soa como piada. Algo como “eles brincam de ser jornalistas e eu brinco de ser fonte”.
 
Uma disciplina como a de Redação Experimental poderia ser muito melhor aproveitada. A cada novo semestre, uma nova vila poderia ser agraciada com o projeto. Além de limitar-se apenas à produção de matérias tínhamos de ter tido contatos com profissionais experientes do ramo. Palestras sobre jornalismo policial, jornalismo comunitário, enfim, nichos da profissão que mais se aplicam às vilas.
 
Eu particularmente esperava muito mais da disciplina e das visitas à Brás. Concluo minhas atividades com a sensação de que poderia e deveria ser muito melhor. Pelo valor que pagamos e por estudar-mos naquela que gaba-se em ser a melhor universidade particular da Região Sul acredito que mereceríamos algo mais aproveitável nesta cadeira.
 
Ficam aqui as minhas considerações sobre a disciplina e sobre o Enfoque da Brás.  Para ilustrar o post utilizo a foto de um dos últimos “amigos” que fiz no local. Um cachorrinho tão fofo que se eu pudesse traria no ônibus.  Tchau Vila Brás e boa sorte às próxima turmas.   

Crédito: Renata Strapazzon

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