Por Andressa Pazzini
Na última ida à Vila Brás, consegui a melhor pauta de todas as três visitas. Não que as outras não sejam boas, claro que são! Mas sou suspeita de comentar sobre esta porque sou apaixonada por dança e, nessa última vez, pude encontrar um projeto social bem bacana que, através da dança, aproxima da arte os moradores da Brás.
Como o de costume, o ônibus nos deixou em frente à Associação de Moradores, pegamos alguns exemplares do Enfoque e saímos a distribuir aos que passavam na rua. Ao mesmo tempo, aquele “pequeno” desespero de não conseguir nada de interessante vinha à cabeça
(novamente). Porém, desta vez tínhamos um desafio: ao invés de sairmos caçando alguma pauta, sairíamos caçando alguém que nos indicasse uma.
Caminhei, caminhei, caminhei até fazer o caminho de volta e entrar em uma loja, em frente à Associação, onde encontrei a vendedora Márcia Schütze (sim, irmã do presidente da Associação, Claudemir Schütze). Perguntei a ela se gostaria de ver algum tema que ainda não tivesse sido matéria no Enfoque na próxima edição. Ela pensou por alguns instantes e disse que um problema enfrentado pelos moradores da Vila era a falta de uma linha de ônibus que fizesse o trajeto da Brás diretamente para o Centro de São Leopoldo. “As vezes temos só o horário de almoço para irmos no banco e o ônibus leva cerca de 25 minutos pra chegar lá, são 50 minutos de ida e volta e não temos esse tempo”, disse ela.
Comecei a anotar o que me dizia, até que Márcia mudou de idéia. “Mas eu acho melhor tu contar a história do projeto de dança do qual meus filhos participam”, disse ela. Pedi para me dar algumas informações sobre esse projeto e com quem eu poderia falar. “Agora a tarde vai ter uma apresentação deles no salão dessa Igreja aqui atrás, eles estão montando o cenário e ensaiando. Pode ir ali falar com eles”. Além de me indicar a pauta, Márcia comentou que seus filhos adoram o projeto e os colegas, além de adquirirem mais responsabilidade depois que entraram no grupo. Agradeci a informação e fui ao local indicado.
Chegando lá, encontrei crianças e jovens muito animados. Alguns ensaiando e os demais ajudando a montar o cenário. Falei com um dos professores do grupo, Adriano Guerra, noivo da idealizadora do projeto, Graciela de Oliveira. Adriano me contou a história do Explosão da
Dança, projeto que existe há cinco anos na Brás, aproxima os integrantes da arte e conta somente com o apoio da comunidade. Naquela tarde, eles fariam uma apresentação com o objetivo de arrecadar fundos para a participação no festival São Leopoldo em Dança, que ocorrerá no final de junho.

Entrevista com Adriano Guerra, esposo de Graciela e também professor de dança do Grupo
Infelizmente, não consegui falar com Graciela, que estava em um curso. Mas Adriano me forneceu as principais informações para que depois eu pudesse aprofundar algumas questões com Graciela, por telefone. Além de conversar com Adriano e algumas crianças, tive a oportunidade de assistir ao ensaio e perceber a alegria e o orgulho que estavam sentindo por apresentarem a sua arte à comunidade da Brás.
E foi assim que consegui minha pauta para a última edição do Enfoque que a nossa turma irá produzir. Despedida com chave de ouro!

Parte do grupo durante ensaio para a apresentação que ocorreria naquela tarde